domingo, 1 de maio de 2011

O início da carreira

Três meses antes de me formar e prestes a completar 23 anos, eu fui aprovado no programa de trainees de uma grande empresa com faturamento anual de aproximadamente R$ 300 milhões. Era um pouco maior do que a metalúrgica do estágio... hehe! E junto com o novo emprego, surgem também alguns treinamentos de gestão com foco em resultados, liderança, gestão financeira, TI, um bom tempo conhecendo todas as áreas da empresa pelo Brasil a fora e eis que vou parar em uma das fábricas no nordeste, sem tempo determinado para voltar. Tudo dependeria do meu rendimento. Junto comigo, entraram 9 outros jovens (muitos deles com experiências internacionais e todos formados em boas Universidades) e meu rendimento se mostrava, algumas vezes, acima da média.
Na verdade essa empresa não estava preparada para atender essa nova geração. A tal geração Y!
Oportunidade de aprendizado, responsabilidades e chances de melhorar o que fazem, definições de papéis clara, feedbacks constantes e reconhecimento/crescimento profissional rápido, bem rápido! É pedir demais?
Minhas angústias se tornaram ainda mais intensas quando comecei a perceber que eu entregava tudo o que se esperava de mim e um pouco mais... vou relatar um pouco mais a respeito disso em outra ocasião... mas em uma realidade onde eu deveria entregar um “projeto final” para apresentar para a próxima turma de trainees em janeiro do ano seguinte, eu tinha 16 projetos (alguns concluídos e outros em andamento), 2 propostas de projeto em fase de avaliação e 8 atribuições/responsabilidades do dia-a-dia na fábrica. Para se ter idéia, apenas um desses projetos trouxe para a empresa um ganho de caixa real de pouco mais de R$ 900.000,00 (Era aproximadamente o faturamento anual da metalúrgica que eu fiz estágio... hehe!). Depois de tudo isso, eu recebia alguns bons feedbacks informais na fábrica. Mas ainda faltava um reconhecimento formal e não rolava uma promoção... no final do programa de trainees, ouvi várias justificativas de falta de orçamento e fui “promovido” de Trainee para Analista de Projetos Sênior (não é Junior nem Pleno, é Sênior!) e sem aumento nenhum de salário, foi um dos dias mais engraçados que vivi nessa empresa... essa proposta veio com um discurso de que eu deveria estar sempre preparado porque quando passasse um cavalo encilhado eu deveria montar porque ele não passa duas vezes... Enquanto eu ouvia palavras de consolo da minha noiva (que trabalhava com RH e Coaching) fui procurando algum outro lugar que me desse os tão sonhados: Dinheiro e Reconhecimento. 
Durante o tempo de procura, fui convidado a fazer um job rotation na área financeira da empresa que eu era trainee, agora em São Paulo. O coordenador financeiro tinha sido demitido e eu seria o novo responsável pelo controle do fluxo de caixa da empresa. Eis que se concretiza o Reconhecimento, mas faltava o Dinheiro.
O engraçado é que eu desenvolveria as mesmas funções que o tal coordenador, porém com o salário de um Analista de Projetos Sênior... ta bom... eu negociei e consegui pelo menos um aumento na ajuda de custo, que na verdade nem cheguei a usufruir, porque o departamento de RH demorou mais tempo para modificar minha folha de pagamento do que eu demorei para conseguir uma nova oportunidade para buscar Dinheiro e Reconhecimento.
Dessa vez, vou tentar em uma das maiores empresas do Brasil. Com suas práticas de RH reconhecidas pelo mundo a fora, Benchmark em Sustentabilidade e faturamento anual am torno de R$ 4 bilhões (um pouco mais que a última, onde fui trainee).
Não quero com essas comparações diminuir ou queimar qualquer dessas empresas... na verdade sou muito grato a cada uma delas e às pessoas que me ajudaram a continuar minha trajetória nessa busca incessante. A intenção na verdade é tentar fazer um comparativo entre essas empresas.
Hoje estou sendo desafiado a cada dia com a diferença de gerações e a relação de hierarquias que vivo. Sei que sou muito novo e não tenho tanta experiência quanto meu chefe, que faz questão de lembrar sempre que é meu chefe e deve ser um pouco mais velho que meu pai. O fato dele ser mais velho que meu pai não me atrapalharia em nada se ele definisse exatamente quais as minhas atribuições, o que devo entregar, e outros daqueles detalhes tão comentados no mundo corporativo como metas, prazos e um mínimo de autonomia. O fato é que a área está bem desorganizada e cada um faz o que sempre fez com os contatos que sempre teve... e o resultado não pode ser diferente se vc faz sempre o mesmo.
Para contextualizar, na área que trabalho hoje, somos 11 pessoa. Depois de mim, o mais novo tem 32 anos e a média de idade deve girar em torno de 42 anos.

Eu tenho 25 anos. E a proposta desse blog é compartilhar com vocês o dia-a-dia desse contraste de gerações para trocarmos idéias e tentarmos achar a melhor saída juntos...

Abrasssssssssssssss

A Faculdade

Quando começaram as aulas eu já estava com quase 17 anos e nada na cabeça! Eu estava na faculdade e agora eu queria aproveitar... fiz muita farra, muita mesmo! E nos três primeiros períodos foram assim... até que eu fui caindo na real... as farras continuavam, porém um pouco mais comedidas e eu resolvi que precisava ganhar dinheiro... chega de depender dos meus pais pra tudo... eu nem queria ser independentes... mas tb não me sentia a vontade de pedir dinheiro para cerveja e festas... minha vontade era ganhar grana para sustentar a vida da faculdade. Pensei muito e naquela época não consegui encontrar nada que me desse muito dinheiro sem que eu precisasse dedicar muito tempo e então resolvi fazer um estágio. Comecei meu estágio em uma metalúrgica que não tinha nenhum engenheiro mecânico. Era uma fábrica de máquinas para industria moveleira que faturava em média R$ 1 milhão por ano... o negócio era muito promissor, porém como várias empresas de pequeno porte, era mal administrado e não existia gestão de pessoas. Mas o que eu queria era me sustentar. Além da bolsa-estágio que era um pouco menos de um salário mínimo, eu fiz uma proposta de documentar os projetos de todas as máquinas em AutoCad e eu recebia uns trocados por cada um deles (a idéia foi aceita e então eu precisava aprender AutoCad pra isso... hehe!). Era uma boa grana para o que eu precisava... passei uns dois anos sendo autodidata com AutoCad e aproveitando essa grana que eu ganhava... até que chegou o momento em que aquilo não me motivava mais. Hoje eu sei bem que preciso de duas coisas para estar motivado: Dinheiro e Reconhecimento. Naquela época eu até gostava da grana, mas não tinha nenhuma forma de reconhecimento. Decidi que precisava fazer diferente para não continuar sendo pouco reconhecido em empresas pequenas quando eu me formasse e nessa época faltava só mais um ano... Eis que percebi que as empresas valorizavam muito uma experiência internacional. Em pouco tempo consegui um estágio em um grupo de mineração europeu... a idéia era morar em uma cidadezinha na Espanha durante 5 meses.  (Em breve, também quero descrever um pouco mais sobre minhas experiências na Espanha, cultura, festas, amizades, aprendizados) Com isso eu me tornaria fluente em espanhol e traria esse estágio para impressionar alguma empresa quando eu me formasse... mas isso, só no próximo post...

Abrassssssssssss